sábado, 10 de outubro de 2009

Pode o tempo e a arte redimir um ato violento do passado?



O cineasta Roman Polanski, 76 anos, foi detido sábado, dia 26 de setembro de 2009, na Suíça. Polansky foi retido no aeroporto de Zurique, cidade onde iria receber um prêmio do festival de cinema dessa cidade.

Em 1978, Polansky foi condenado nos EUA por abuso sexual de uma menor de 13 anos quando lhe tirava fotos para a revista «Vogue» na casa do ator Jack Nicholson, em Hollywood. É referido na acusação que também lhe ofereceu álcool e drogas. O caso foi para tribunal e o diretor franco-polaco não esperou pela condenação de «relação sexual ilícita com menor de 14 anos», encontrando-se desde então foragido aos olhos da justiça norte-americana.

Roman Polanski vive na França, tendo confessado a sua culpa no ato. No entanto, tem tentado ao longo destes anos que o caso fosse arquivado com o argumento de ter havido consentimento da jovem e do juiz ter conduzido mal todo o processo.

Polanski fez bons filmes, como: Tess, Chinatown, A Dança dos Vampiros, O Bebê de Rosemary, O Pianista, entre outros.

E aí?

4 comentários:

  1. A condição humana é revestida de uma tristeza e melancolia absolutas. Um ser ou não ser respondido intuitivamente há séculos.

    Somos ainda os juízes mais severos de nós mesmos. Por isso o investigador Porfiry tinha plena certeza da confissão do criminoso Raskolnikov, em Crime e Castigo. Uma questão de consciência, dizia, acima da gravidade ou circunstância do delito.

    Por que encarcerar Polanski se o próprio já o fez? No material que manipula, os filmes, isso foi decretado pelo "acusado" há anos, impulsionado pela tal condição humana e sua afilhada, a consciência. Sem moralismos ou pretenso senso de justiça, mas a partir de um julgamento individual.

    A maioria das obras de Roman Polanki, depois de 1980, pessoais ou de encomenda, representam personagens vítimas de algum tipo de aprisionamento, cerceamento ou limitação. Seja numa cadeira de rodas, numa sala de tortura, sob as artimanhas do diabo, sob a crueldade nazista ou na estratificação social de uma origem órfã.

    Desencanto.

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  2. Antes de tudo, obrigada por comentar e seja bem vindo ao 'meu' Vazio.

    Roberto, vejo essa situação com duas faces distintas.

    A primeira questão é exatamente essa que você muito bem descreveu. Ou seja, mostra na autoria de sua obra, um homem que se auto-condenou. Acrescento ainda o fato indiscutível de ser um elaborador de estima internacional.

    Mas, a segunda que me questiono é a de que, fosse ele qualquer outra pessoa, um cara comum, sem ser um célebre Diretor, não estaríamos satisfeitos pela justiça, mesmo que tardia?

    É justo que fique livre porque ele pôde demonstrar seu arrependimento?

    E nesse caso, não estaríamos sendo injustos com outros que acaso sintam da mesma forma mas não tenham tido oportunidade de assim o demonstrar?

    Também não se pode defendê-lo justificando seu passado terrível de injustiça e abandono. Outros tantos, certamente, também o tiveram.

    Ainda assim, o caso Polanski nos causa pungência.

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  3. Sou mãe de três filhas e se algo assim acontecesse com uma delas,menor de idade,com ou sem consentimento,o cárcere seria muito pouco para o Polanski, um diretor genial,o que não ameniza em nada o ato praticado. Ele "aceitou" o consentimento da moça. Agora, arrependido ou não,que aceite as consequências!
    Adorei o Vazio!!Parabéns pela matéria Thaís Gischkow.

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