sexta-feira, 14 de setembro de 2018
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
A Ladra Louca
Escrever como quem não tinha mais nada a fazer, esse foi o único modo que encontrou para finalmente dar rumo aos tantos pensamentos soltos.
Muito soltos. Desconexos, ela pensava. Às vezes tolos. Outras vezes harmoniosos.
Sentia a vida lhe tomando as palavras, capturando cada letra, ponto e vírgula que antes eram somente dela.
- Ah, vida, sua ladra louca!
Assim não seria possível nunca escrever!
Deixe-me em paz! Só, aqui com meus pensares.
Não preciso da sua urgência me atropelando.
Sentou-se. Papel e lápis.
Olhou para o céu. Não tinha céu, só um muro.
Cuspiu a dor no papel.
Não havia muito mais a fazer.
A ladra louca já estava lá a olhar pela janela.
Thaís Gischkow - 11/01/2018
Merdades & Ventiras
Preciso te dizer quem não sou.
Não olho pra trás.
Fui tocada pelas asas de um anjo.
Meu corpo sem tuas mãos não existe.
Vejo a realidade de olhos fechados.
Todos somos estrábicos.
Quero me consumir em cigarros.
Não finjo para agradar.
Queimo pontas com o passado.
Temo o pior.
Meu cinismo é real.
Corpo e alma, ou nada.
Mais não digo.
Foda-se.
Meias mentiras mentem meias verdades.
Somos o quebra-cabeça do abstrato.
Moro com um louco que quer quebrar tudo.
A princesa é virgem, mas já deu.
Batons e calcinhas valem sim.
O juiz tem cargo vitalício, mas precisa de mordaça.
A justiça é dona de um bordel.
Lagartixas podem ser repugnantes, mas eu gosto.
Meu gato também.
O coração é amanteigado.
O espírito, inoxidável.
O buraco é sempre mais em cima.
Ligo para o que você pensa só quando tenho saldo.
Pecado não existe, sacanagem sim.
Não force.
Beijos podem ser melhores que metidas.
Pense no mundo com doçura.
Não precisa amar todo mundo.
Um, basta.
A única realidade é agora.
Lembranças e conjecturas são o resto.
Tenho pena de quem pensa que isso é tudo.
Thaís Gischkow, em 11/01/2014.
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