quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

A Ladra Louca


Escrever como quem não tinha mais nada a fazer, esse foi o único modo que encontrou para finalmente dar rumo aos tantos pensamentos soltos.

Muito soltos. Desconexos, ela pensava. Às vezes tolos. Outras vezes harmoniosos.

Sentia a vida lhe tomando as palavras, capturando cada letra, ponto e vírgula que antes eram somente dela.

- Ah, vida, sua ladra louca!
Assim não seria possível nunca escrever!

Deixe-me em paz! Só, aqui com meus pensares. 
Não preciso da sua urgência me atropelando.

Sentou-se. Papel e lápis.

Olhou para o céu. Não tinha céu, só um muro.
Cuspiu a dor no papel.
Não havia muito mais a fazer. 
A ladra louca já estava lá a olhar pela janela.

Thaís Gischkow - 11/01/2018

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Oba!! Obrigada, Serginho da Bronze!! Hehe, fico feliz de teres gostado pois conheço bem teu rigoroso senso crítico.

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